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O tempo de reação

O tempo de reação na natação significa o tempo que leva pro pé do nadador sair do sensor após a partida ter iniciado.

Nas saídas do bloco, o sensor é uma placa colocada em cima – no caso da Colorado Time Systems – ou até mesmo o próprio bloco – como é o caso da Omega Timing. Para a saída de costas, em ambos os casos vale o mesmo: o sensor vira a placa de toque.

Citamos dois fabricantes de equipamentos de cronometagem eletrônica por serem os mais conhecidos no Brasil. A Colorado Time Systems está no Brasil, pelo menos, desde 1995 – quando a Federação Aquática Paulista adquiriu. Já a Omega Timing é famosa no mundo inteiro por fornecer a cronometragem para o Comitê Olímpico Internacional e para a Federação Internacional de Natação. Existem muitas outras pelo mundo, sendo um pouco mais conhecidas do que as restantes a Seiko (que foi parceira da FINA por meros 2 anos até falhas graves no Mundial de Fukuoka, em 2001*) e a Daktronics (popular nos Estados Unidos, também é uma grande fornecedora de “displays” – grandes televisões para simplificar – para governos e indústria do entretenimento).

Diferentes empresas, diferentes sistemas de cronometragem… diferentes tempos de reação?

Não é possível comparar os tempos de reação obtidos em diferentes equipamentos já que o momento da saída é único e é praticamente impossível refazer as mesmas características devido a uma infinidade de variáveis que afetam o momento. No entanto, uma coisa deve ser respeitada: o mesmo tipo de equipamento durante toda a competição. Não é nem regra da Fina, mas sim questão econômica.

O método de aferição dos equipamentos das duas empresas citadas são diferentes: a Colorado utiliza peso e pressão, enquanto a Omega usa força de impulso e pressão.

O equipamento acima é um modelo que muitos brasileiros irão encontrar em campeonatos brasileiros e em poucos campeonatos estaduais. É uma placa bem pesada, com mais de 10 kg, cuja superfície é uma “lixa”, e é composta de duas lâminas de aço separadas por uma fina camada de algum tipo de esponja, com algumas linhas de contato espalhadas pela superfície entre estas duas lâminas.

No momento da partida, é lógico que o atleta vai empurrar o bloco para fazer o mergulho na água. É dada a partida e o relógio da cronometragem é iniciado. Esta força que ele faz nos pés, combinado com o peso, faz com que as duas lâminas tenham contato e, portanto, fiquem “ligadas” ou simplesmente “conectadas”. O tempo vai passando e o atleta vai se esticando e, consequentemente, a pressão inicialmente exercida na placa vai diminuindo conforme o atleta vai se “alongando” no ar. Chega um momento em que a pressão fica menor do que a necessária para manter o contato entre as duas lâminas e quando isso ocorre, o relógio da cronometragem é acionado.

O resultado é o tempo entre o relógio ter sido disparado e o momento em que o atleta deixou de exercer pressão/peso suficiente para manter as lâminas juntas. Isso se chama tempo de reação.

É comum acreditar que este momento é quando o pé do atleta sai completamente do bloco, mas não seria preciso afirmar isso considerando o método utilizado.

O segundo equipamento é o ilustrado acima, e apesar de ser vendido como o bloco inteiro, a plataforma – a parte de cima do bloco – é perfeitamente removível para futuras trocas de plataforma defeituosa.

Deixando de lado a parte de ajuste, que é esse dispositivo acima da plataforma, na parte traseira, que permite o atleta a melhorar seu impulso – a popular saída de atletismo na natação – o mecanismo funciona com ou sem esse dispositivo.

No momento da partida, o relógio é acionado. O atleta faz o impulso pra frente, exercendo pressão sobre a plataforma, que desliza para trás acionando, digamos, uma trava. Com o avanço do movimento do nadador para frente e para dentro d’água, quando a pressão diminui, essa trava é liberada.

O tempo de reação neste caso é o tempo entre o acionamento desta trava até a liberação da mesma.

E pra quê eu vou querer saber sobre isso?

Pode parecer uma mera curiosidade ver todos aqueles número 0.80, 0.91, 0.87 estampados no placar eletrônico, mas para técnicos e atletas isso significa velocidade de reação ao sinal de partida, uma importante variável muito utilizada em treinamento de velocistas.

Apesar de existir o equipamento, nem sempre ele apresentará tempo de reação. Isso é extremamente comum em competições de crianças (9 a 12 anos) e masters (65 anos em diante) porque estes atletas ou não fazem pressão suficiente ou não tem peso suficiente para funcionar o método.

Além disso, atletas mais baixos costumam ter tempo de reação menor do que os mais altos, não por questão de agilidade mas por questão física: pro baixinho é mais rápido ele colocar todo seu corpo no ar e, consequentemente, retirar a pressão do bloco, do que para um “altão”.

César Augusto Cielo Filho tem um dos melhores tempos de reação do mundo: em Xangai, ao vencer a prova de 50m livre marcou 0s63 de tempo de reação. No entanto, outros nadadores conseguem tempo mais baixo, como Roland Schoeman, com 0s59, num campeonato sul-africano antes da Olimpíada de Atenas, em 2004. Entre as mulheres, Natalie Coughlin (0s69) é uma unanimidade de excelente saída, mas em termos de tempo ainda perde para, por exemplo, a sueca Therese Alshammar (0s65) e para a dinamarquesa Jeanette Ottensen (que esteve no Troféu Maria Lenk 2012 pelo Corinthians) com 0s64.

*As falhas ocorreram porque a placa de toque falhava em muitas provas, o que causou desconfiança para os atletas, técnicos e público sobre a validade daqueles resultados. Para mais informações, clique aqui para ler uma pequena reportagem (em inglês) do famoso jornalista Craig Lord, de 2001.

Árbitro de Natação

Olá, eu sou o árbitro de natação e adoro discutir sobre regras de natação. Leia, releia, discuta e conheça as regras que movimentam o nosso esporte.

http://www.regrasdenatacao.com.br/

1 comentário

  1. Muito bom o conteudo do Blog, importante esclarecer as regras para melhor compreenção dos atletas, pais e do público em geral.

    Achei confuso o trecho da regra que trata sobre a cronometragem dos tempos em provas com o sistema eletrônico, com placa, pera e cronômetros manuais. Já observei várias falhas de equipamento e em certos casos resultando em colocações diferentes da observada pelo juiz de chegada. Agradeceria um esclarecimento por parte de vocês.

    Obrigado!

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