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A abertura de revezamento

Há muito tempo o Brasil vivia numa escuridão técnica: se você fosse um nadador e estivesse próximo de superar um recorde numa das provas de revezamento (100m livre, 200m livre ou 100m costas), seu técnico tinha que comunicar o árbitro geral por escrito que você estaria em uma “tentativa de recorde”, e que, portanto, seu tempo na abertura do revezamento deveria ser validado como oficial (para que o recorde pudesse, enfim, ser seu).

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A prova de revezamento – de acordo com a regra da FINA – tem algumas particularidades:

  1. O tempo final do primeiro atleta é considerado válido caso a cronometragem eletrônica automática ou semi-automática funcione. No caso de manual, daí são necessários 3 cronômetros para tornar o tempo oficial;
  2. Quando existir uma desclassificação da equipe de revezamento, os tempos dos atletas são válidos até o momento da desclassificação. Então se o 3o. atleta queimar, os tempos do 1o. e 2o. atleta são válidos.

Voltando ao caso do Brasil, até pelo menos ano passado, os tempos de abertura de revezamento em Campeonatos Brasileiros não eram considerados válidos. Os motivos não são claros, mas acredita-se que seja por motivo técnico (não era possível pegar todos os tempos de abertura de revezamento e inseri-los nos resultados), por motivo de regra (equipamento de cronometragem falhou) ou por outro motivo.

No entanto, ano passado houve uma discussão acerca do recorde durante uma abertura de revezamento durante o Troféu Chico Piscina, realizado em outubro na cidade de Mococa, para atletas de ponta das categorias infantil e juvenil. Felipe Ribeiro, de São Paulo, abriu o revezamento 4x100m livre infantil com uma marca que é menor que o recorde da prova de 100m livre.

O recorde não foi homologado até que a Federação Paulista emitiu um boletim à CBDA informando que não havia nenhum impedimento em homologar a marca do atleta (clique aqui).

A resistência por admitir imediatamente o recorde trouxe um exemplo anterior à tona: os recordes de campeonato obtidos por César Cielo no Campeonato Mundial de Roma, em 2009, abrindo o revezamento 4x100m livre do Brasil. Vejam o resultado das eliminatórias…

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…e das finais:

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Acompanhe a prova:

Em ambos os casos, você pode notar o “C” na frente do tempo de César Cielo: corresponde à marcação de “Recorde de Campeonato”, claro, referindo-se ao recorde do campeonato da prova de 100m livre, que é o que a prova de revezamento é composta.

Este era outro motivo, aliás, que também encontrava resistência aqui no Brasil: porque um atleta quando abre um revezamento com recorde, este mesmo recorde não consta na prova? Pior, se o atleta superasse a marca mundial abrindo o revezamento, ainda assim não seria recorde da prova aqui no Brasil…

Durante o I Campeonato Mundial Junior, realizado em 2006 no agora finado Parque Aquático Julio de Lamare, era curioso acompanhar os resultados direto do site da cronometragem oficial da competição (www.omegatiming.com) que no decorrer da competição, já que era a primeira edição, alguns recordes eram estabelecidos quase que sequencialmente. Era o caso por exemplo do 4x200m livre, que foi no 1o. dia de competição. Durante as eliminatórias, o recorde do campeonato era atualizado a cada série, já que não existia um recorde anterior. Quando, claro, era “superado” a marca da série anterior. O mesmo ocorria para o tempo do primeiro atleta, que se tornava o recorde da prova de 200m livre.

O mais recente caso ocorreu no Campeonato Sul-Americano, quando André Augusto Santos abriu o revezamento 4x100m medley com uma marca que é menor do que o recorde sul-americano da categoria Juvenil A nos 100m costas (clique aqui). Até agora, tal recorde ainda não foi oficializado pela Consanat (Confederação Sul-Americana de Natação).

A discussão é longa, mas fomos buscar informação direto no Comitê Técnico da FINA, junto à Carol Zaleski, presidente da Comissão Técnica de Natação da FINA.

“Um tempo de abertura de revezamento deveria ser reconhecido como recorde. Não faria sentido reconhecer o tempo como recorde mundial ou olímpico, mas não outros recordes”, escreveu por e-mail.

Então, de acordo com a FINA, todo tempo de abertura de revezamento, quando utilizado o equipamento automático, semi-automático ou 3 cronômetros manuais, deve ser considerado tempo oficial. Com isso, os atletas que abrem revezamento têm direito a considerar estas marcas como tempos de seu histórico, sendo válido para recordes e índices também.

A temporada 2013 já começou e ainda não notamos que o sistema atual (considerar apenas os tempos que forem recordes, ignorando os outros tempos de abertura de revezamento) irá mudar. No entanto, na Federação Paulista os tempos de abertura já são reconhecidos como oficiais desde 2010 para Campeonatos Paulistas e automaticamente incluídos no histórico dos atletas. O que faltava era reconhecer que certas marcas poderiam ser recordes da prova também.

 

Árbitro de Natação

Olá, eu sou o árbitro de natação e adoro discutir sobre regras de natação. Leia, releia, discuta e conheça as regras que movimentam o nosso esporte.

http://www.regrasdenatacao.com.br/

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