Atenção peitistas e costistas: as câmeras da FINA estão de olho em vocês!

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Introduzida oficialmente no Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos em Gwangju, Coréia do Sul, em julho de 2019, e extra-oficialmente utilizada em dois campeonatos mundiais junior (2011 e 2017), o “Underwater Video Review“, nome do processo de revisão de decisão de árbitro na natação (o popular “VAR”), deverá ser um atrativo à parte durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, que começa dia 24 de julho no Japão.

O Comitê Técnico de Natação da FINA divulgou para os árbitros que participarão dos Jogos uma série de slides apontando os detalhes, funcionamento, regras e histórico. O nome oficial do equipamento completo é Underwater Video Judging Equipment e consta nas regras da FINA em sua última revisão, de março de 2020, como BL 9.2.2. E um dos slides aponta no que deverá ser a infração mais acionada pelo replay do vídeo na piscina: a chegada submersa no nado costas e as golfinhadas durante a filipina no nado de peito.

BL 9.2.2 At Olympic Games and World Championships approved Automatic Officiating Equipment, including Underwater Video Judging Equipment shall be provided and used. The approved Underwater Video Judging Equipment shall be used to initiate stroke infraction calls, confirm stroke infraction calls or assist the Referee to overturn calls made on the pool deck. 

O equipamento serve de suporte e é complementar à decisão da arbitragem. Ele pode ser usado para iniciar uma discussão de infração, confirmar a infração ou auxiliar o árbitro geral na reversão de uma desclassificação.

Apesar de ironicamente ter “underwater” no nome, o equipamento tem 4 câmeras fixas acima da marcação de 15 metros da piscina, que são usadas juntas com as outras 30 câmeras subaquáticas. Uma equipe de 6 pessoas, inclusive ex-nadadores, controlará as câmeras e vídeos. As câmeras subaquáticas cobrem 2 raias cada uma, enquanto as aéreas cobrem 4 raias.

De acordo com os slides, o procedimento do uso do equipamento de vídeo será o seguinte:

  1. Pelo menos 2 árbitros do Comitê Técnico estarão na sala de vídeo
  2. Cada um é responsável pela metade do total de raias na piscina
  3. Eles confirmam ou anulam uma chamada de infração feita na piscina
  4. Eles iniciam uma chamada de infração de acordo com o que viram no vídeo
  5. O árbitro de vídeo que fez a chamada de infração deve fazer isso como se fosse um árbitro na beira da piscina: assistindo apenas uma vez ao vídeo
  6. Com a chamada da infração na sala de vídeo, o segundo árbitro revisa a chamada de infração, confirmando ou anulando

Os árbitros de vídeo devem se comunicar brevemente com o árbitro geral da piscina, anunciando simplesmente se houve desclassificação, anulação ou inconclusão. Como estabelece a regra da FINA, em caso de dúvidas, o atleta tem o benefício. A desclassificação só é válida na certeza.

Os slides também indicam que no procedimento do árbitro de vídeo, primeiro deve-se assistir ao vídeo em velocidade normal para então prosseguir com o quadro-a-quadro.

O que não fica claro e também só descobriremos no momento é o tempo despendido neste processo de verificação, chamada ou anulação de uma infração. Na fase eliminatória, onde ocorrerá a grande maioria das revisões, cada série dependerá da conclusão da revisão do vídeo para poder prosseguir, o que pode acumular minutos preciosos para a transmissão. Numa semifinal ou final, será natural que trará uma breve ansiedade de ver os resultados estampados na tela como oficiais, mas em casos que a infração seja sutil, pode-se esperar que uma decisão leve alguns minutos até o resultado oficial.

Como novidade e agora sob os olhos de mais de 4 bilhões de pessoas, a função do árbitro da natação estará sob julgamento constante com a entrada da revisão por vídeo.

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